Fernando Augusto Almeida Neves

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Restaurante automatizado dispensa presença de garçons

A comida chega à mesa através de trilhos de metal.

O restaurante alemão Baggers é o primeiro do mundo a dispensar todos os garçons. O cliente faz o pedido sentado à mesa, acessando uma tela touchscreen. De lá, o pedido vai para a cozinha, que fica no andar de cima, e o prato desce em um trilho de metal.

Após a refeição, os clientes podem avaliar virtualmente a comida, o ambiente e o serviço na mesma tela em que fizeram o pedido. Atraves do dispositivo também é possível enviar e-mails recomendando o restaurante aos amigos.

Apesar de toda a tecnologia e inovação no salão do restaurante, a cozinha segue padrões tradicionais. A comida é preparada por uma equipe de seres humanos que procuram preparar todos os pratos de maneira impecável. Todos os ingredientes usados são orgânicos e frescos, sempre comprados com produtores locais.

http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/restaurante-automatizado-dispensa-presenca-de-garcons/?cHash=895ad5443b94e05fb5633e9423263336

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A gestão integrada da inovação

 
Saber diferenciar etapas e atuar com visão macro são chaves para sucesso no processo inovativo.

Gestão tecnológica, de P&D e da inovação são termos correlatos? Etapas distintas de um processo único? “A cultura de inovação ainda é recente no Brasil, por isso muitas empresas ainda têm dúvidas nessa conceituação”, afirma Lívia Fioravanti, coordenadora de projetos da Inventta e que possui especialização em gestão da inovação na Alemanha.

Gestão Tecnológica

No início da cadeia de inovação, é fundamental traçar uma estratégia tecnológica que será assumida pela corporação, levando em conta, primordialmente, seus próprios objetivos empresariais.

A estratégia tecnológica irá descrever como a empresa deve trabalhar as questões que envolvem tecnologias para obter vantagens competitivas. Já a gestão tecnológica é o processo de integração da ciência, engenharia e estratégia com pesquisa, desenvolvimento e produção, buscando atingir os objetivos de negócio da empresa de forma eficaz, eficiente e econômica.  “É com essa definição em mente que a empresa partirá em busca de novos processos e produtos”, explica Lívia.
Para isso, algumas atividades devem ser consideradas:
  • Busca (através de constante monitoramento) por tecnologias relevantes para a empresa e o seu negócio;
  • Classificação e avaliação das tecnologias pertinentes, de acordo com sua importância estratégica, ciclo de vida, atratividade para o mercado (de baixo, médio e longo prazo) etc;
  • Domínio de tecnologias com alta significância estratégica;
  • Definição dos caminhos de P&D e processos inovadores: desenvolvimento interno ou aquisição de know how externo, obtenção de recursos, estabelecimentos de parcerias etc;
  • Planejamento das atividades de P&D, levando em conta as competências internas necessárias e seus objetivos estratégicos.

Gestão de P&D e Gestão da Inovação

Definido o portfolio e o planejamento de trabalho, entra em cena a Gestão de P&D. É nessa etapa que são adquiridos, armazenados e protegidos novos conhecimentos e o know how tecnológico. Ou seja, são realizadas as pesquisas, o desenvolvimento e a proteção das ideias e soluções pensadas inicialmente para se obter o novo produto ou processo. “Sobretudo nessa fase, e ao longo de todo o processo de inovação, é muito importante que a empresa desenvolva ferramentas para avaliação e controle, através de indicadores de processos e riscos. Assim, por meio de um aprendizado contínuo, é possível definir novos rumos para o projeto e evitar a recorrência de erros”, alerta Lívia.

Finalmente temos a Gestão de Inovação, que engloba, além da gestão de P&D, a implementação do novo produto ou processo na linha de produção da empresa e, posteriormente, a introdução dessa solução no mercado.

Apesar da gestão de P&D permear tanto a gestão tecnológica quanto a de inovação, um dos fatores para o sucesso do projeto é compreender bem os conceitos e definições de cada fase, com seus respectivos limites. “São etapas que se entrelaçam e fazem parte uma da outra, mas cada uma se caracteriza por atividades distintas”, conceitua Lívia.

Segundo a coordenadora de projetos da Inventta, o grande risco que as corporações correm quando não conseguem vislumbrar um panorama macro do processo inovativo é concentrar esforços em apenas um dos pontos da cadeia. “O que as empresas devem sempre ter em mente é trabalhar uma visão global. Se a companhia atua muito na ponta do processo, por exemplo, há o risco de o início não estar bem estruturado, prejudicando a obtenção dos resultados esperados”.

Gestão integrada

Para que essa gestão aconteça de forma integrada, alguns fatores podem contribuir. Montar uma equipe multidisciplinar dentro da empresa é um deles. Esse grupo, formado por profissionais de diferentes áreas e hierarquias, deve estar bem alinhado com a estratégia empresarial e tecnológica adotada pela empresa e pensar no processo de inovação como um todo.
As empresas devem trabalhar com uma visão global. Se a companhia atua muito na ponta do processo, por exemplo, há o risco de o início não estar bem estruturado, prejudicando a obtenção dos resultados esperados.”
Lívia Fioravanti, coordenadora de projetos da Inventta
Sua tarefa seria responder as perguntas relacionadas a como ser mais eficaz (O que vamos fazer? Quais tecnologias vamos adotar? Quais são as necessidades / demandas de nossos clientes? E quais são as soluções?) e a como ser mais eficiente (Como vamos fazer / desenvolver? Como vamos implementar? Temos as competência e recursos necessários? Se não, como podemos obtê-los?).

O diálogo constante com centros de pesquisa também possui papel fundamental. “As ICTs são grandes geradoras de conhecimento no país. O estabelecimento de parcerias público-privadas permite que vários processos sejam catalisados”, pontua a Lívia. Um terceiro aspecto relevante é que as empresas se abram para um modelo mais colaborativo para a geração de novas ideias, envolvendo clientes, fornecedores e parceiros (privados ou públicos) em seu processo inovativo.

 

Como funciona na sua empresa?

O sucesso da implementação de processos inovadores em uma empresa depende da integração da gestão tecnológica, de P&D e da inovação. Na sua empresa, quais são as melhores práticas utilizadas e as dificuldades encontradas para executar essa gestão?

 

http://inventta.net/radar-inovacao/noticias/gestao-integrada-inovacao/

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Memcomputação: física caótica abre caminho para computação cerebral

 
Um comportamento inesperado em materiais ferroelétricos abre o caminho para uma nova abordagem para o armazenamento e processamento de dados conhecido como memcomputação. [Imagem: ORNL]

Ferroeletricidade

Muitas descobertas prometem melhorar as memórias e mesmo os mecanismos de processamento dos computadores.

Contudo, um comportamento inesperado nos materiais ferroelétricos aponta para uma abordagem radicalmente diferente para o armazenamento e o processamento de dados, uma abordagem que está mais para o cérebro humano do que para os processadores eletrônicos.

Anton Ievlev, juntamente com uma equipe da Ucrânia, Rússia e EUA, descobriu o fenômeno ao estudar justamente os materiais ferroelétricos, cuja maior promessa são memórias de computador que não perdem dados na falta de energia.

A principal característica dos materiais ferroelétricos é a mudança de polarização magnética quando são submetidos a um campo elétrico.

Para construir uma memória dessas, os pesquisadores constroem os chamados "domínios magnéticos", zonas de polarização controlada que passam a funcionar como bits.

Bits com vontade própria

A surpresa veio quando eles começaram a adensar esses bits, construindo malhas mais fechadas de domínios magnéticos.

Em vez de ficar cada um na sua, os bits começaram a formar padrões complexos e imprevisíveis - ou quase imprevisíveis.

"Quando reduzimos a distância entre os domínios, começamos a ver coisas que deveriam ser completamente impossíveis," disse Ievlev.

Em vez de obedecer à técnica de construção, os domínios simplesmente se recusavam a ser criados no padrão desejado, ou assumiam padrões alternativos aparentemente aleatórios.

"À primeira vista, não fazia qualquer sentido. Nós pensávamos que, quando um domínio se forma, ele simplesmente se forma. Ele não deveria depender dos domínios vizinhos," explicou o pesquisador.
Mas os domínios magnéticos se mostraram donos de uma vontade intransigente, que não se dobrou ao desejo dos pesquisadores em construir malhas bem definidas de bits - em vez disso, surgiram padrões dos mais variados tipos.

Caos no espaço

Felizmente, a equipe tinha à mão a Teoria do Caos, ainda que tenham precisado usá-la de uma forma inédita.

"O comportamento caótico geralmente é produzido no tempo, não no espaço," explica Ievlev. "Ver um comportamento caótico produzido no espaço, como no nosso experimento, é algo incrivelmente incomum."
Incomum, mas muito útil.

Na verdade, a memória voluntariosa apresenta todos os requisitos necessários para a memcomputação, um paradigma da computação que preconiza que o armazenamento e o processamento ocorram na mesma plataforma física.

Memcomputação

Memcomputação, como se pode depreender, é uma junção de memória com computação, no sentido de realização de cálculos.

"A memcomputação é basicamente como o cérebro humano funciona: os neurônios e suas conexões, as sinapses, podem armazenar e processar informações no mesmo local. Este experimento com domínios ferroelétricos demonstra a possibilidade de [realização da] memcomputação," disse Yuriy Pershin, membro da equipe.

Isso seria feito codificando informações no raio do domínio e fazendo as operações lógicas na superfície do material ferroelétrico.

Embora o sistema, em princípio, tenha uma capacidade de computação universal, todo o experimento foi feito em microscópios eletrônicos, manipulando os domínios um a um.

Assim, serão necessárias muitas pesquisas para saber como o mecanismo se comporta em processos de fabricação mais sistematizados e que possam ser controlados eletronicamente.

Só então os engenheiros poderão começar a projetar esses "processadores cerebrais".

Bibliografia:

Intermittency, quasiperiodicity and chaos in probe-induced ferroelectric domain switching
Anton Ievlev, Stephen Jesse, Anna N. Morozovska, Evgheni Strelcov, Eugene A. Eliseev, Yuriy V. Pershin, Amit Kumar, Vladimir Ya. Shur, Sergei V. Kalinin
Nature Physics
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nphys2796

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=memcomputacao&id=010110131126&ebol=sim